Armas da Família Cunha Paredes


História familiar



   


Os Paredes eram grandes senhores oriundos de Valladolid que se fixaram em Trujilho no tempo de Henrique III. Estavam ligados às principais famílias dessa região de Castela a Velha, tais como os Vargas, os Carvajales, os Altamiranos, os Bejaranos e os Pizarros. Daí o aparecimento deste apelido em terras da América do Sul para onde segue o valoroso Capitão Diego Garcia de Paredes que acompanha Francisco Pizarro (n. Trujillo, 1475-1541) na conquista do Peru. Também entre os navegantes portugueses que demandaram a Índia encontramos um navegador castelhano de apelido Paredes integrado na frota de Vasco da Gama, na segunda viagem ao Oriente (veja-se registo dos membros da tripulação que se encontra no Arquivo Nacional da Torre do Tombo).

 

As armas desta família de origem espanhola não estão registadas em Portugal nem constam do nobiliário português. Em  Espanha o brasão dos Paredes ostenta um urso à beira de um rio, ao pé de uma torre, amarrado a uma árvore por uma corrente de ouro.
 
Os primeiros Paredes de que existe registo em Portugal fixaram-se na região de Viseu, na vila de Góis, onde se ligaram à família dos Cunha, "linhagem das mais antigas de Portugal, que provém de D. Paio Guterres da Silva, adiantado de Portugal, governador de muitas terras pelo Rei D. Afonso VI de Leão e seu rico-homem, fundador dos mosteiros de Cucujães, Tibães, S. Simão da Junqueira, S. Salvador do Souto e Santo Estévão de Vilela, e de João Ramires, senhor de Montor. Seu terceiro filho, D. Fernão  Pais da Cunha, teve o senhorio da quinta de Cunha-a-Velha, da qual tomou o apelido. Recebeu-se com D. Mor Rendufes, filha de Rendufo Soleima e de sua mulher D. Acha, de quem teve D. Lourenço Fernandes da Cunha, que continuou a linhagem" (Armorial Lusitano, 1961, p. 187).
 
Sanches de Baena menciona a tradição que relaciona D. Paio Guterres com Cunha a Velha, no termo de Guimarães; acrescenta porém que, segundo Jerónimo de Aponte, "D. Payo ganhou Torres Novas e que foi o primeiro que se chamou "Cunha", porque durante os cercos punha cunhas de ferro nas portas, para que os inimigos não pudessem sair; e por isso lhe deram por divisa  nove cunhas azuis em campo de oiro" (Visconde Sanches de Baena, "Pombeiro da Beira", B.N.L). D. Paio Guterres era filho de D. Guterre Pelayo, companheiro de armas do Conde D. Henrique, com quem veio da Gasconha para Portugal em 1095 e de quem obteve Póvoa do Varzim e outras terras em Guimarães, Braga e Barcelos. 
 
Os descendentes de D. Paio Guterres da Cunha entroncam em D. Afonso Henriques por duas linhas femininas: a descendência de D. Brites Gonçalves de Briteiros, mulher do primeiro Senhor de Pombeiro, e a de D. Leonor Teles de Meneses, Rainha de Portugal, casada em primeiras núpcias com D. João Lourenço da Cunha, segundo Senhor de Pombeiro. Por D. Brites e por D. Leonor Teles  a família Cunha liga-se aos primeiros Reis de Portugal e consequentemente aos Capetos de França, bem como descende de "Cid El Campeador". Por casamento, os Senhores de Pombeiro ligam-se ainda aos Senhores de Melo, aos Senhores de Góis, aos Senhores de Oliveira do Conde e de Currélos. Deste ramo da família Cunha descendem ainda os Condes de Pombeiro, os Marqueses de Belas, os Condes dos Arcos e os Condes de Tarouca.

 

A associação dos dois apelidos Cunha e Paredes é bastante antiga e vem descrita no Anuário da Nobreza de Portugal, Liv. III e Tomo IV de 2006, p. 137.

 

O representante actual da família Cunha Paredes, Eng.º António Augusto de Carvalho da Cunha Paredes, casou com D. Maria do Carmo Holbeche Fino Igrejas, filha do Dr. Frederico Augusto de Araújo Leite Igrejas e de D. Margarida Holbeche Fino. O Dr. Frederico Igrejas foi presidente da Câmara Municipal de Chaves, governador civil de Vila Real, advogado da Companhia de Seguros Sagres, da Sociedade Portuguesa de Administrações, da Companhia Nacional de Caminhos de Ferro, da Companhia Colonial de Buzi, da Lloyd Brasileira, e ainda administrador do Banco Pinto & Sotto Maior e Governador do Banco de Portugal; D. Margarida Holbeche Fino era descendente dos Senhores de Holbeche, do condado de Lincoln em Inglaterra. Os Senhores de Holbeche fixaram-se em Farnborough, propriedade dos descendentes de Sir Walter Raleigh a quem se ligaram por casamento; nessa propriedade construíram em 1745 o seu "family manor house". Ligaram-se por casamento com os Barões de Godoney, os Barões de Bridport, os Condes de Portland, os Condes de Bristol e a poderosa Casa Russell. Aquando do regresso a Portugal da Rainha D. Catarina de Bragança, viúva de Carlos II da Inglaterra, veio também Frank Holbeche, que foi cônsul de Inglaterra em Lisboa e era casado com uma sobrinha do confessor da Rainha D. Catarina, que se chamava Richard Russell e foi bispo de Portalegre e de Viseu. O filho de Frank, João Holbeche, fidalgo da Casa Real, cavaleiro da Ordem de Cristo, ocupou os cargos de tesoureiro da Casa Real e escrivão dos "filhamentos", cargos esses que seu sogro Dr. João Bernardes, também ele fidalgo da Casa Real, já desempenhara.

 

As armas usadas pelo actual representante dos Cunha Paredes, concedidas a seu bisavô o Conselheiro Dr. Manuel da Cunha Paredes, são: escudo partido de Cunhas e Valles, com timbre dos Valles.
 
O Dr. Manuel da Cunha Paredes casou com D. Augusta de Campos, bisneta do Capitão de Tondela António Fernandes do Valle e de sua mulher D. Maria Simões de Loureiro. O Padre Alexandre Marques do Valle, seu neto por varonia, edificou em Tondela o solar dos Valle com capela dedicada a Nossa Senhora de Santana, tal como descrito no boletim Arquivo Histórico de Viseu: "em 27 de Julho de 1740 já as casas e a capela estavam feitas, pedindo-se nesta data a licença para a bênção do templo". A licença foi concedida em 29 de Agosto de 1740 (Liv. P. 56, fls. 507v.º/  508v.º). O Dr. Manuel da Cunha Paredes (1800-1884), bacharel formado em leis, foi promotor de justiça em Angra, juiz de fora em São Jorge, juiz do crime e órfãos de Coimbra, juiz da Relação dos Açores, juiz-conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça, deputado da Nação, membro do conselho de S. M. F. e par do Reino, fidalgo cavaleiro da Casa Real, governador civil de Leiria, Coimbra e Lisboa, comendador das ordens de Cristo e de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa. Foi agraciado com a medalha militar de D. Pedro IV e de D. Maria II. Consta que lhe terá sido oferecido o título de Visconde da Ribeira da Dóna, que ele todavia recusou.

 

O representante dos Cunha Paredes na ilha da Madeira é o Arq.º João Carlos Fino Igrejas da Cunha Paredes, terceiro filho do actual chefe desta familia. É casado com a Dr.ª Maria Perestrelo da Silva Favila Vieira, filha do Embaixador Dr. Fernão Manuel Homem de Gouveia Favila Vieira e de D. Maria João Vieira Pereira da Silva Favila Vieira. Nascida no Funchal a 17/02/1960, licenciada em História pela Universidade Livre, arquivista no Arquivo Regional da Madeira e prestando apoio técnico ao Arquivo Histórico da Diocese do Funchal desde 1998, a Dr.ª Maria Perestrelo da Silva Favila Vieira pertence a duas famílias das mais antigas da ilha da Madeira. É descendente de Bartolomeu Perestrelo e ainda do povoador da Madeira António Favella, a quem o genealogista Henrique Henriques de Noronha atribui uma ascendência ilustre e  que com sua mulher Maria de Vasconcelos, descendente de João Gonçalves Zarco, fundou a capela de Nossa Senhora da Ajuda e o morgadio dos Piornais. O último morgado Favila, não tendo filhos, constituiu seu herdeiro universal seu amigo Conselheiro Dr. Manuel José Vieira, chefe do Partido Progressista e personalidade prestigiada, cujo filho varão assumiu o nome Favila. Contam-se entre os membros da família Perestrelo Favila Vieira políticos destacados nos séculos XIX e XX na ilha da Madeira, nomeadamente o genro do Conselheiro Dr. Manuel José Vieira, Major João Augusto Pereira, bem como seus netos Dr. Fernão Henriques Perestrelo Favila Vieira e Dr. Álvaro Henriques Perestrelo Favila Vieira. Uma neta do Dr. Manuel José Vieira, Berta Luisa Perestrelo Vieira Pereira, mulher do Reitor do Liceu de Jaime Moniz Dr. Ângelo Augusto da Silva, fundou o Abrigo de Nossa Senhora de Fátima para protecção de jovens em risco moral. 
 
Quer do lado paterno, quer do lado materno, o Arq.º João Paredes herdou profundas tradições católicas, tendo feito o Curso de Cristandade na Diocese do Funchal (17 a 21.10.2001). Ingressou com sua mulher no movimento de casais Equipas de Nossa Senhora, do qual se desligaram quando a equipa se desfez na sequência da partida para Lisboa de um dos casais. Desde 2008 são ministros extraordinários da Comunhão da paróquia de S. Pedro.
 
O Arq.º João Paredes e a Dr.ª Maria Favila Vieira têm três filhas: Maria do Carmo Perestrelo Favila Vieira da Cunha Paredes, Maria João Perestrelo Favila Vieira da Cunha Paredes, Maria João Perestrelo Favila Vieira da Cunha Paredes.